O dia começa com pão com manteiga. Café pingado três vezes. Uma sacudida forte e benção pra tudo ocorrer bem. Começa no maquinal e surpreendente “Bom Dia” ora sussurrado, ora declamado. Nenhum dia começa na pia cara lavada. Ele vem depois de algumas bocejadas e baforadas. Todo dia começa no abrir os olhos mesmo que seja no sentido mais limitado disso. O sol que vem ou se ausenta. As persianas que se desfolham. O ruído dos tacos. O choque dos calcanhares. A celebração ou desprezo a mesa. O gesto de abrir. O gesto de fechar. Os três passos quase que tateados ao despertador. A ida ao banho. A volta pra buscar o esquecido. O dia começa na estúpida concretização dessas ações, na terna intenção de cobri-las de novidades, esperanças. Começa outra guerra, outro encontro com o desconhecido, outra maravilhosa oportunidade de amar. O dia começa até mesmo antes de começar - assim escrevendo uma poesia as duas e trinta e seis da manhã. É alvorada, prelúdio, nosso canal com o mundo.
Henrique Pires
domingo, 13 de setembro de 2009
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Simples desejo
Dedicado a quem me possibilitu a vida - Maria Ermelinda
Sensualidade pouca e vazia
Que se mistura nos tijolos
E nas mãos de tantas mães
Essas esperam um não sei o quê
Nem pra quê
Nem tem por quê contradizer
Basta dizer que é mãe e mais nada
Seus filhos soletrados aos beros
Carentes de tudo e ao mesmo tempo fartos de sí mesmos
Já são sábios com pouca idade
E a malícia é a maldade de quem vê
Sempre vamos ao encontra da escola
Seja qual for sua arquitetura
Pobre ou noturna esperamos à porta
As mães de lábios mansos e afrouxados
São firmes na decisão da vida
Afloram quase sempre na despedida
E no fundo são quase mudas
Sensualidade pouca e tardia
A entrega mártire de um Amor incondicional
Nem todas são heroínas
Mas todas podem voar
E quando fazem não voltam mais
Seus filhos soletrados ao vazio
Escapam, esperneam e acostumam-se
a permanecer sós na presença de outros tantos mais
Então tiveste mãe?
Ou ela que te teve no seio farto dos dias?
Beber o leite e alegrar as fotos
Agora são lembranças findas de minha mãe Maria
Henrique Pires
Sensualidade pouca e vazia
Que se mistura nos tijolos
E nas mãos de tantas mães
Essas esperam um não sei o quê
Nem pra quê
Nem tem por quê contradizer
Basta dizer que é mãe e mais nada
Seus filhos soletrados aos beros
Carentes de tudo e ao mesmo tempo fartos de sí mesmos
Já são sábios com pouca idade
E a malícia é a maldade de quem vê
Sempre vamos ao encontra da escola
Seja qual for sua arquitetura
Pobre ou noturna esperamos à porta
As mães de lábios mansos e afrouxados
São firmes na decisão da vida
Afloram quase sempre na despedida
E no fundo são quase mudas
Sensualidade pouca e tardia
A entrega mártire de um Amor incondicional
Nem todas são heroínas
Mas todas podem voar
E quando fazem não voltam mais
Seus filhos soletrados ao vazio
Escapam, esperneam e acostumam-se
a permanecer sós na presença de outros tantos mais
Então tiveste mãe?
Ou ela que te teve no seio farto dos dias?
Beber o leite e alegrar as fotos
Agora são lembranças findas de minha mãe Maria
Henrique Pires
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Aquela Negra
Vi aquela negra nua
Boca vermelha
Brincos argolados
Cabelos armados
Tinha o rosto virado
Envaidecido pela idade
Cor de destaque
Ornando no ambiente pálido
Aparentava entre trinta e trinta e cinco
Não sabia dizer o que fazia
Se examinava ou fitava os transeuntes que passavam
Era estupidamente bela e negra
Toda harmonia nas pontas dos seus seios
Que saltavam aos olhos
E animavam outros pontos
Não era vulgar
Tampouco vaidosa
Era natural
E esse natural transbordava, embriagava, entorpecia todos nós
Aquela negra carregava no ventre um filho
Que não significava retrato de miséria, pois nada pedia
Era o contrário – vida brotando no espaço ondulado do seu corpo
Não pude beijar aqueles lábios
Aprofundar minhas mãos no espaço que em V se finalizava
Aquela negra se respeitava
Como mulher, mãe, criação
Aquela negra poderia ser qualquer outra
Residente de qualquer cidade, estado ou país
O que as tornam irmanadas não são suas afro-descendências
E sim na decência de ser negra e mais nada
Henrique Pires
Boca vermelha
Brincos argolados
Cabelos armados
Tinha o rosto virado
Envaidecido pela idade
Cor de destaque
Ornando no ambiente pálido
Aparentava entre trinta e trinta e cinco
Não sabia dizer o que fazia
Se examinava ou fitava os transeuntes que passavam
Era estupidamente bela e negra
Toda harmonia nas pontas dos seus seios
Que saltavam aos olhos
E animavam outros pontos
Não era vulgar
Tampouco vaidosa
Era natural
E esse natural transbordava, embriagava, entorpecia todos nós
Aquela negra carregava no ventre um filho
Que não significava retrato de miséria, pois nada pedia
Era o contrário – vida brotando no espaço ondulado do seu corpo
Não pude beijar aqueles lábios
Aprofundar minhas mãos no espaço que em V se finalizava
Aquela negra se respeitava
Como mulher, mãe, criação
Aquela negra poderia ser qualquer outra
Residente de qualquer cidade, estado ou país
O que as tornam irmanadas não são suas afro-descendências
E sim na decência de ser negra e mais nada
Henrique Pires
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
Confusão de tons
O amarelo é verde
O verde é branco
O branco é cor-de-rosa
O cor-de-rosa é a mistura do azul com o preto
O azul inexiste sem o preto
O contrário não é válido
As cores fazem cartazes
Bolhas de sabão
Sabão lavam as mãos, mas não a alma
A aquarela muito diluída - destoa
Sem tom perdemos a fala
E se falamos muito é porque não observamos as cores
O vermelho é assim vergonhoso
O bege extravagante. quase indecente
Cada um faz suas concepções
E nas ações temos tintas perdidas
Pinto de laranja a ponte rachada de Outono
Pinto de jasmin a flor turquesa
O branco morreu na paz
O preto na guerra
O amarelo no sol tardio
Aquarela,
Ela,
A inovar e nos deixar as cores da esperança que gira, gira, sempre gira
Henrique Pires
O verde é branco
O branco é cor-de-rosa
O cor-de-rosa é a mistura do azul com o preto
O azul inexiste sem o preto
O contrário não é válido
As cores fazem cartazes
Bolhas de sabão
Sabão lavam as mãos, mas não a alma
A aquarela muito diluída - destoa
Sem tom perdemos a fala
E se falamos muito é porque não observamos as cores
O vermelho é assim vergonhoso
O bege extravagante. quase indecente
Cada um faz suas concepções
E nas ações temos tintas perdidas
Pinto de laranja a ponte rachada de Outono
Pinto de jasmin a flor turquesa
O branco morreu na paz
O preto na guerra
O amarelo no sol tardio
Aquarela,
Ela,
A inovar e nos deixar as cores da esperança que gira, gira, sempre gira
Henrique Pires
sábado, 13 de junho de 2009
Frase Poema
“E essas mães que estão sempre a pedir. E pedem, e pedem, e pedem sem cessar. Eu a caminhar e a escutar esse pedido repetido sempre”.
Henrique Pires
Henrique Pires
Made in Brazil
Minha índia não é ingênua,
Não sabe o segredo da jurema,
É uma nativa carnuda e com uma sexualidade exuberante,
Que deixa qualquer homem de boca aberta
Têm muitos amores,
Amantes
É genuinamente brasileira
Usa colar de coco e brincos de prata,
Toma coca-cola e já fez até uma home page,
Não desperdiça maquilagem para ficar mais sexual,
É multifacetada
Sua oca é uma cobertura na Barra da Tijuca
Com ela não têm tempo ruim,
Não sabe a dança da chuva, mas, tem um samba no pé que estremece qualquer Sapucaí!
Essa índia é um tesão,
Poderosa,
Mema, é seu profile no orkut
Mas seu nome mesmo é Iracema da Conceição
Henrique Pires
Não sabe o segredo da jurema,
É uma nativa carnuda e com uma sexualidade exuberante,
Que deixa qualquer homem de boca aberta
Têm muitos amores,
Amantes
É genuinamente brasileira
Usa colar de coco e brincos de prata,
Toma coca-cola e já fez até uma home page,
Não desperdiça maquilagem para ficar mais sexual,
É multifacetada
Sua oca é uma cobertura na Barra da Tijuca
Com ela não têm tempo ruim,
Não sabe a dança da chuva, mas, tem um samba no pé que estremece qualquer Sapucaí!
Essa índia é um tesão,
Poderosa,
Mema, é seu profile no orkut
Mas seu nome mesmo é Iracema da Conceição
Henrique Pires
sábado, 14 de março de 2009
Drummond sempre eterno
Drummond sempre eterno te vejo
Sempre a espera da palavra
Esta cálida, lida ao desejo
E em seus sentidos, decifrada
Drummond poeta-menino
De alcances inimagináveis
Nasceu do aço de Itabira
E reside agora na pouca casa
Drummond presente te sinto
Na percepção das imagens
Desse, de outro tempo
Tão igual, tão honesto ao passado
Drummond sempre eterno te sigo
Em vão não posso copiar-te
És único poeta que sorri
Assim sem mais alarde
Drummond se fosse menos magnífico
Poderia eu e tantos outros poetas
Na curva do tempo calar-te
Henrique Pires
Sempre a espera da palavra
Esta cálida, lida ao desejo
E em seus sentidos, decifrada
Drummond poeta-menino
De alcances inimagináveis
Nasceu do aço de Itabira
E reside agora na pouca casa
Drummond presente te sinto
Na percepção das imagens
Desse, de outro tempo
Tão igual, tão honesto ao passado
Drummond sempre eterno te sigo
Em vão não posso copiar-te
És único poeta que sorri
Assim sem mais alarde
Drummond se fosse menos magnífico
Poderia eu e tantos outros poetas
Na curva do tempo calar-te
Henrique Pires
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